Quem sou eu?

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Recife, Pernambuco
Poderia dizer que vivo de sonhos, mas creio que são eles que vivem em mim. Arriscaria classificar-me como quixotesca, a cada dia mato meus gigantes para, na manhã seguinte, aperceber-me de que eles não passavam de meros moinhos. Acredito firmemente que as melhores pessoas tem um quê de loucura, manter-se fixo na realidade é enfadonho. O ideal mesmo é tirar os pés do chão e, se possível, aprender a voar.

sábado, 21 de março de 2015

Sobre amores repentinos.

Chegaste devagar, a passos silenciosos. Nem percebi o momento que começaste a passear pelos meus pensamentos. Quando menos esperava estavas ali, à espreita, e por mais que tentasse tirar-te de lá, não conseguia. Passaram-se as estações, ameaçavas perigosamente viajar da minha cabeça ao coração, e isso eu não desejava, pois cada pessoa que passou por ele deixou-o em frangalhos. Meu peito respondia a cada tentativa tua de adentrar em meu interior: vá embora, vá embora, vá embora. Não atendeste à minha súplica. Foste ficando, ficando, e ficou.


"Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde, amo-te simplesmente sem problemas nem orgulho: amo-te assim porque não sei amar de outra maneira."
(Pablo Neruda)

quinta-feira, 19 de março de 2015

Carta a um desconhecido

Vem abrir as portas do meu coração há muito lacradas com força. Arranca essas correntes que me prendem ao solo, ensina-me a voar novamente. Sussurra baixinho, ao meu ouvido, que meus medos são apenas bobagens de uma alma transtornada. Abraça-me, tu bem sabes como isso me faz bem. Beija-me com a doçura de um jovem apaixonado, enlouquecido pelos desejos ardentes que te controlam por completo. Olha-me nos olhos com ternura. Ria, meu amor, sim, sorria, pois não existe nada no mundo mais lindo que o seu sorriso. Dancemos à luz da lua, sem música, somente ao som dos nossos corações, que batem no mesmo compasso. Eu e tu, tu e eu, nós. Viajemos, sem data, sem destino, sem hora pra voltar. Façamos um piquenique, alimentemo-nos da nossa companhia. Tu me dirás que sou boba por amar-te tanto assim, que não mereces tanta admiração, te responderei com simplicidade que és a melhor pessoa do mundo. Passemos os dias assim, nesse vaivém cotidiano, sem nunca, porém, entrar em uma rotina. Transformemo-nos em novas pessoas, amando, cada vez mais, quem estamos nos tornando. Que a nossa paixão seja contínua e o nosso amor ininterrupto. E, quando já velhinhos a morte nos vier buscar, não temas meu amor, não chores, caminhemos ao seu encontro de mãos dadas, como sempre o fizemos.


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Manchete

Encarei o jornal perplexo, na primeira página, escrita em letras garrafais, lia-se a seguinte frase: assassinaram a inspiração. Desafortunada seja! Costumava sentar no meu colo e contar-me uma história. E que imaginação tinha! Sussurrava palavras ao meu ouvido, ela falava e eu escrevia, num vaivém melódico, hipnótico. Vinha todo fim de tarde, presenciava as minhas epifanias. Mataram-na, matou-a, matei-a.


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Confissões de um viciado

Bebi, não nego. Embriaguei-me com o gosto pungente de uma cachaça chamada poesia. Como em uma metástase vi meus órgãos serem tomados lentamente pelas palavras, de modo arrebatador, até por fim chegar ao coração. Vi florescer a rosa de Vinícius, observei o amor ensandecido de Drummond, e até Poe (louvado seja!) me fez viajar nas asas de um corvo, que com o tempo passei a apreciar, simplesmente pelo mero fato de ele ser fruto da escuridão. Augusto dos Anjos me fez perceber que tal como um morcego em uma janela, a consciência humana passa a noite a nos atormentar e nossa vontade, como indivíduos ignorantes, é simplesmente defenestrá-la, fingir que ela não existe e inventar uma utopia. Garrafas e garrafas de versos. Garçom, pode repetir a dose? Talvez um dia eu venha a morrer de cirrose. Cirrose de poemas existe? Não sei, não me importa. Overdose, convulsões de uma alma embevecida pelas letras. Morte. Na lápide uma frase: aqui jaz um bêbado poeta.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Preuve de l'existence de Dieu

E às vezes vem aquela sensação, de paz, alegria e serenidade inexplicáveis. Levanto os olhos, ponho as mãos sobre o peito e respiro fundo. O universo é maravilhosamente encantador, deliciosamente misterioso. Sinto um arrepio profundo, olho para as minhas mãos. Observo atentamente tudo ao meu redor. E finalmente vejo o quão perfeito é o mundo. Bastam apenas esses pequenos fenômenos para convencer-me que Deus existe.



"Deus não é intelecto, mas a causa do intelecto. Deus não é o sopro, mas a origem do sopro. Deus não é a luz, mas a causa da luz. Ele é o espaço que se contém a si mesmo. Incorporal, incapaz de erro, impassível, intangível, imutável."
(Hermes Trismegisto, séc. 3 d.C).

sábado, 26 de novembro de 2011

The curse of the time

E existem momentos nos quais a dor se torna insuportável e é necessário sentir o toque do ser amado para atenuá-la. E quando essa pessoa não está? A dor fica aí, machucando cada vez mais o coração da pobre desgraçada, que sofre por amor reprimido. Amor intenso, profundo, delirante e eloquente, mas que não pode ser demonstrado por obra do destino. O tempo é um ordinário que serve apenas para enlouquecer os que esperam, ansiosos, por algo. E as manhãs se tornam longas, e os dias se transformam e o que deveria passar não passa.


De que são feitos os dias? 
- De pequenos desejos, 
vagarosas saudades, 
silenciosas lembranças. 

Entre mágoas sombrias, 
momentâneos lampejos: 
vagas felicidades, 
inatuais esperanças. 

De loucuras, de crimes, 
de pecados, de glórias 
- do medo que encadeia 
todas essas mudanças. 

Dentro deles vivemos, 
dentro deles choramos, 
em duros desenlaces 
e em sinistras alianças...
(Cecília Meireles)


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Encontro...

Quiçá um dia voltemos a encontrar-nos. Pode ser que em algum momento nossos caminhos se cruzem. Talvez, e só talvez, você me olhe ternamente. Um olhar profundo, que remova as minhas dúvidas, as minhas indecisões, os cataclismas da minha mente. Um olhar doce, sorridente. Olhando-me assim, você tomará minhas mãos entre as suas e sussurará algo. E eu ficarei meio tonta, indubitavelmente boba, completamente inerte. Minha razão desaparecerá por completo, como se nunca houvesse existido. E um sorriso se formará lentamente em minha boca, um sorriso sincero, esperançoso. E tudo o que passou será esquecido. Abrirei os braços, receptiva. Não me sentirei tão viva até que chegue esse momento. 

"A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida"
(Vinícius de Moraes)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Monólogo (in)consistente...

Você não entende. É necessário. Por quê não consegues me ouvir? Falo, grito e não me escutas. Parece que estou falando palavras inteligíveis. Cale-se! É a minha vez de me expressar, você já teve a sua. Aliás, sempre é sua vez. Deixe que eu me liberte, rompa essa correntes malditas que me prendem aqui. Quero voar, será que você não vê? Está claro. Te mando todos os sinais possíveis e imaginários. Impressionante como você não percebe. Pare de me ignorar. Pensando melhor não me dê atenção. Não preciso dela. Cansei, mudei, evolui. Você não seguiu essas mudanças de perto. Quem mandou estagnar no tempo?


terça-feira, 18 de outubro de 2011

E assim vou vivendo...

Garganta seca, olhos apertados, pequenininhos, cansados de tanto chorar. Chorar pra quê? Derramar lágrimas em vão, lágrimas que vem e vão como os sentimentos perdidos, esquecidos. Levanta a cabeça menina, que não adianta sofrer, sentir vontade de voltar, de retroceder. Adianta? É preciso criar forças, como se cria esperanças, inventar, reinventar, um universo maravilhoso, novo e desconhecido. Dançar, saltar e cantar, sem ter vergonha do que digam de você. Deixa que te julguem, que te digam o que é errado ou o que é certo. Você não precisa seguir à risca tudo que a sociedade impõe. Afinal, você não precisa mudar. Mudanças? Pra quê? Já estou farta delas. Só mudo se quiser e ponto. Não me dirão o que tenho que fazer. Tenho personalidade. E me dizem que estou louca, que perdi o juízo. Só lamento. Você não gosta de como eu sou? Não me importa. Não é por ti que deixarei de viver.



sábado, 17 de setembro de 2011

Sobre os meus sentimentos...

A atmosfera é lúgubre e deprimente. Meu coração está sangrando, sinto um peso enorme no peito. Quero gritar bem alto, ser livre, voar para bem longe daqui. Lágrimas saltam de meus olhos enquanto estou refletindo. A dor é terrível, insuportável, como milhões de facas penetrando lentamente a minha carne, impiedosas, lacerantes. Me falta o ar, meus pulmões já não respondem ao meu comando. Minhas pernas tremem.  Oh! Não posso mais, não suporto. Que farei? Só me resta escrever sobre os meus sentimentos sozinha.


"Todo o inferno está contido nesta única palavra: solidão". 
(Victor Hugo)