Quem sou eu?

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Recife, Pernambuco
Poderia dizer que vivo de sonhos, mas creio que são eles que vivem em mim. Arriscaria classificar-me como quixotesca, a cada dia mato meus gigantes para, na manhã seguinte, aperceber-me de que eles não passavam de meros moinhos. Acredito firmemente que as melhores pessoas tem um quê de loucura, manter-se fixo na realidade é enfadonho. O ideal mesmo é tirar os pés do chão e, se possível, aprender a voar.
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sábado, 17 de setembro de 2011

Sobre os meus sentimentos...

A atmosfera é lúgubre e deprimente. Meu coração está sangrando, sinto um peso enorme no peito. Quero gritar bem alto, ser livre, voar para bem longe daqui. Lágrimas saltam de meus olhos enquanto estou refletindo. A dor é terrível, insuportável, como milhões de facas penetrando lentamente a minha carne, impiedosas, lacerantes. Me falta o ar, meus pulmões já não respondem ao meu comando. Minhas pernas tremem.  Oh! Não posso mais, não suporto. Que farei? Só me resta escrever sobre os meus sentimentos sozinha.


"Todo o inferno está contido nesta única palavra: solidão". 
(Victor Hugo)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Falsidade


Ele acordou, levantou-se e vestiu sua máscara. Saiu pela rua cabisbaixo, tinha vergonha de quem era realmente, da sua verdadeira essência, da sua personalidade. Conheceu outras pessoas, elas também usavam máscaras. E assim cresceu, conhecendo mais e mais gente falsa e nunca ninguém se preocupava realmente pelo seu estado, pelos seus sentimentos. Até que um dia, já farto de tudo isso, resolveu arrancar sua máscara e percebeu, horrorizado, que em seu rosto não restava mais verdade, não lhe restava opinião própria, era apenas uma marionete, construída por mentiras, que ele mesmo havia criado.


Eu sei que há muito pranto na existência,
Dores que ferem corações de pedra, 
E onde a vida borbulha e o sangue medra,
Aí existe a mágoa em sua essência.
No delírio, porém, da febre ardente
Da ventura fugaz e transitória
O peito rompe a capa tormentória
Para sorrindo palpitar contente.
Assim a turba inconsciente passa,
Muitos que esgotam do prazer a taça
Sentem no peito a dor indefinida.
E entre a mágoa que a máscara eterna apouca
A Humanidade ri-se e ri-se louca
No carnaval intérmino da vida.
(A máscara - Augusto dos Anjos)

sábado, 7 de maio de 2011

Eu aprendi....

Que as melhores pessoas não são as mais perfeitas, que detalhes são muito importantes. Aprendi que sinto falta não do que eu vivi, mas simplesmente do que eu podia ter vivido. Que os sonhos se realizam, entretanto muitas vezes não do jeito que a gente quer. Que você só percebe a importância de alguém quando está longe. Apesar disso, aprendi também que sempre é possível mudar a situação, dar a volta por cima e recomeçar. Afinal, se você não tentar passará o resto da vida perguntando-se o que teria acontecido. Muitas vezes é melhor tentar e não conseguir do que lamentar por não haver tentado.





sábado, 12 de março de 2011

Chapeuzinho Vermelho

Começo essa história de um modo muito convencional. Era uma vez uma menina que se chamava Chapeuzinho Vermelho, sua vida era muito entediante, monótona e repetitiva, vivia andando pelo bosque levando doces à sua vovozinha e o lobo perseguindo-a sempre. Até que um dia ela percebeu a hipocrisia disso tudo. E quis ir ao mundo real, onde a vida era bem mais interessante (ao menos ela pensava assim). Cresceu, foi ludibriada por seus pensamentos idealizados sobre a vida fora dos contos de fadas e conseguiu chegar até o mundo de verdade. Quando chegou, achou tudo maravilhoso, lindo e sentiu uma liberdade que jamais havia sentido em toda sua existência. Depois de um tempo, começou a observar melhor as coisas ao seu redor, percebeu que o mundo real era poluído, pusilânime, sem cores. Os homens eram ingratos, mesquinhos, insensíveis, criavam bombas para destruir-se uns aos outros. Quis voltar, já não era mais possível, havia esquecido o caminho. Chorou, se deu conta de que muitas vezes é melhor viver em um mundo de fantasia do que viver na realidade. Começou a adoecer, ficou doente de desgosto, se desgastou lentamente até se reduzir a pó e foi levada pelo vento.

sexta-feira, 4 de março de 2011

O poder das palavras

É realmente curioso o poder que as palavras tem. Às vezes penso que elas são entes vivos, que se constroem e se reconstroem constantemente. Quando se organizam dão lugar à uma história, que é um texto inacabável. Mesmo que tenham um ponto final, nunca estão realmente terminadas, continuam a se desenvolver na cabeça do próprio autor, na imaginação e no sentimento dos leitores. Por isso digo que quem lê experimenta uma sensação única, de liberdade. Ler é criar um universo maravilhosamente novo e ao mesmo tempo já conhecido, é voar e imaginar a vida de um modo diferente. As palavras escritas são, muitas vezes, mais significativas que as faladas, pois quem fala pode estar simplesmente profanando palavras levianas, sem sentido verdadeiro. Por outro lado, as palavras escritas sempre ficam, porque foram eternizadas em algum lugar.



"As palavras sempre ficam. Se me disseres que me amas, acreditarei. Mas se me escreveres que me amas, acreditarei ainda mais. Se me falares da tua saudade, entenderei. Mas se escreveres sobre ela, eu a sentirei junto contigo. Se a tristeza vier a te consumir e me contares, eu saberei. Mas se a descreveres no papel, o seu peso será menor. Lembre-se sempre do poder das palavras. Quem escreve constrói um castelo, e quem lê passa a habitá-lo".

(Silvana Duboc)