Começo essa história de um modo muito convencional. Era uma vez uma menina que se chamava Chapeuzinho Vermelho, sua vida era muito entediante, monótona e repetitiva, vivia andando pelo bosque levando doces à sua vovozinha e o lobo perseguindo-a sempre. Até que um dia ela percebeu a hipocrisia disso tudo. E quis ir ao mundo real, onde a vida era bem mais interessante (ao menos ela pensava assim). Cresceu, foi ludibriada por seus pensamentos idealizados sobre a vida fora dos contos de fadas e conseguiu chegar até o mundo de verdade. Quando chegou, achou tudo maravilhoso, lindo e sentiu uma liberdade que jamais havia sentido em toda sua existência. Depois de um tempo, começou a observar melhor as coisas ao seu redor, percebeu que o mundo real era poluído, pusilânime, sem cores. Os homens eram ingratos, mesquinhos, insensíveis, criavam bombas para destruir-se uns aos outros. Quis voltar, já não era mais possível, havia esquecido o caminho. Chorou, se deu conta de que muitas vezes é melhor viver em um mundo de fantasia do que viver na realidade. Começou a adoecer, ficou doente de desgosto, se desgastou lentamente até se reduzir a pó e foi levada pelo vento.
E a doçura é tanta que faz insuportável cócega na alma. Viver é mágico e inteiramente inexplicável (Clarice Lispector).
Quem sou eu?
- Priscilla V.
- Recife, Pernambuco
- Poderia dizer que vivo de sonhos, mas creio que são eles que vivem em mim. Arriscaria classificar-me como quixotesca, a cada dia mato meus gigantes para, na manhã seguinte, aperceber-me de que eles não passavam de meros moinhos. Acredito firmemente que as melhores pessoas tem um quê de loucura, manter-se fixo na realidade é enfadonho. O ideal mesmo é tirar os pés do chão e, se possível, aprender a voar.
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