Quem sou eu?

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Recife, Pernambuco
Poderia dizer que vivo de sonhos, mas creio que são eles que vivem em mim. Arriscaria classificar-me como quixotesca, a cada dia mato meus gigantes para, na manhã seguinte, aperceber-me de que eles não passavam de meros moinhos. Acredito firmemente que as melhores pessoas tem um quê de loucura, manter-se fixo na realidade é enfadonho. O ideal mesmo é tirar os pés do chão e, se possível, aprender a voar.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Confissões de um viciado

Bebi, não nego. Embriaguei-me com o gosto pungente de uma cachaça chamada poesia. Como em uma metástase vi meus órgãos serem tomados lentamente pelas palavras, de modo arrebatador, até por fim chegar ao coração. Vi florescer a rosa de Vinícius, observei o amor ensandecido de Drummond, e até Poe (louvado seja!) me fez viajar nas asas de um corvo, que com o tempo passei a apreciar, simplesmente pelo mero fato de ele ser fruto da escuridão. Augusto dos Anjos me fez perceber que tal como um morcego em uma janela, a consciência humana passa a noite a nos atormentar e nossa vontade, como indivíduos ignorantes, é simplesmente defenestrá-la, fingir que ela não existe e inventar uma utopia. Garrafas e garrafas de versos. Garçom, pode repetir a dose? Talvez um dia eu venha a morrer de cirrose. Cirrose de poemas existe? Não sei, não me importa. Overdose, convulsões de uma alma embevecida pelas letras. Morte. Na lápide uma frase: aqui jaz um bêbado poeta.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Preuve de l'existence de Dieu

E às vezes vem aquela sensação, de paz, alegria e serenidade inexplicáveis. Levanto os olhos, ponho as mãos sobre o peito e respiro fundo. O universo é maravilhosamente encantador, deliciosamente misterioso. Sinto um arrepio profundo, olho para as minhas mãos. Observo atentamente tudo ao meu redor. E finalmente vejo o quão perfeito é o mundo. Bastam apenas esses pequenos fenômenos para convencer-me que Deus existe.



"Deus não é intelecto, mas a causa do intelecto. Deus não é o sopro, mas a origem do sopro. Deus não é a luz, mas a causa da luz. Ele é o espaço que se contém a si mesmo. Incorporal, incapaz de erro, impassível, intangível, imutável."
(Hermes Trismegisto, séc. 3 d.C).

sábado, 26 de novembro de 2011

The curse of the time

E existem momentos nos quais a dor se torna insuportável e é necessário sentir o toque do ser amado para atenuá-la. E quando essa pessoa não está? A dor fica aí, machucando cada vez mais o coração da pobre desgraçada, que sofre por amor reprimido. Amor intenso, profundo, delirante e eloquente, mas que não pode ser demonstrado por obra do destino. O tempo é um ordinário que serve apenas para enlouquecer os que esperam, ansiosos, por algo. E as manhãs se tornam longas, e os dias se transformam e o que deveria passar não passa.


De que são feitos os dias? 
- De pequenos desejos, 
vagarosas saudades, 
silenciosas lembranças. 

Entre mágoas sombrias, 
momentâneos lampejos: 
vagas felicidades, 
inatuais esperanças. 

De loucuras, de crimes, 
de pecados, de glórias 
- do medo que encadeia 
todas essas mudanças. 

Dentro deles vivemos, 
dentro deles choramos, 
em duros desenlaces 
e em sinistras alianças...
(Cecília Meireles)


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Encontro...

Quiçá um dia voltemos a encontrar-nos. Pode ser que em algum momento nossos caminhos se cruzem. Talvez, e só talvez, você me olhe ternamente. Um olhar profundo, que remova as minhas dúvidas, as minhas indecisões, os cataclismas da minha mente. Um olhar doce, sorridente. Olhando-me assim, você tomará minhas mãos entre as suas e sussurará algo. E eu ficarei meio tonta, indubitavelmente boba, completamente inerte. Minha razão desaparecerá por completo, como se nunca houvesse existido. E um sorriso se formará lentamente em minha boca, um sorriso sincero, esperançoso. E tudo o que passou será esquecido. Abrirei os braços, receptiva. Não me sentirei tão viva até que chegue esse momento. 

"A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida"
(Vinícius de Moraes)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Monólogo (in)consistente...

Você não entende. É necessário. Por quê não consegues me ouvir? Falo, grito e não me escutas. Parece que estou falando palavras inteligíveis. Cale-se! É a minha vez de me expressar, você já teve a sua. Aliás, sempre é sua vez. Deixe que eu me liberte, rompa essa correntes malditas que me prendem aqui. Quero voar, será que você não vê? Está claro. Te mando todos os sinais possíveis e imaginários. Impressionante como você não percebe. Pare de me ignorar. Pensando melhor não me dê atenção. Não preciso dela. Cansei, mudei, evolui. Você não seguiu essas mudanças de perto. Quem mandou estagnar no tempo?


terça-feira, 18 de outubro de 2011

E assim vou vivendo...

Garganta seca, olhos apertados, pequenininhos, cansados de tanto chorar. Chorar pra quê? Derramar lágrimas em vão, lágrimas que vem e vão como os sentimentos perdidos, esquecidos. Levanta a cabeça menina, que não adianta sofrer, sentir vontade de voltar, de retroceder. Adianta? É preciso criar forças, como se cria esperanças, inventar, reinventar, um universo maravilhoso, novo e desconhecido. Dançar, saltar e cantar, sem ter vergonha do que digam de você. Deixa que te julguem, que te digam o que é errado ou o que é certo. Você não precisa seguir à risca tudo que a sociedade impõe. Afinal, você não precisa mudar. Mudanças? Pra quê? Já estou farta delas. Só mudo se quiser e ponto. Não me dirão o que tenho que fazer. Tenho personalidade. E me dizem que estou louca, que perdi o juízo. Só lamento. Você não gosta de como eu sou? Não me importa. Não é por ti que deixarei de viver.



sábado, 17 de setembro de 2011

Sobre os meus sentimentos...

A atmosfera é lúgubre e deprimente. Meu coração está sangrando, sinto um peso enorme no peito. Quero gritar bem alto, ser livre, voar para bem longe daqui. Lágrimas saltam de meus olhos enquanto estou refletindo. A dor é terrível, insuportável, como milhões de facas penetrando lentamente a minha carne, impiedosas, lacerantes. Me falta o ar, meus pulmões já não respondem ao meu comando. Minhas pernas tremem.  Oh! Não posso mais, não suporto. Que farei? Só me resta escrever sobre os meus sentimentos sozinha.


"Todo o inferno está contido nesta única palavra: solidão". 
(Victor Hugo)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Subconsciente

Você já parou para analizar todas as coisas que pensamos, mesmo que inconscientemente? Nós, os seres humanos somos dotados de inteligência, razão, mas algumas vezes os nossos atos são impulsionados por uma parte de nós que se encontra enterrada, quase esquecida dentro de nós mesmos. Cito aqui o famoso livro “Dr.Jekyll & Mr.Hyde” no qual um renomado médico realiza uma série de experimentos e se converte em um monstro, sanguinário e repugnante. Ao realizar essa transformação, o doutor se sente incrivelmente bem (ao menos a princípio) porque se liberta de sua personalidade correta, ou seja, a que se encaixa exatamente nos moldes da sociedade da época. O pai da psicanálise, Sigmund Freud fez uma análise dessa obra e segundo ele todas as pessoas têm um Mr.Hyde dentro de si mesmas, que só espera uma oportunidade, um momento, para sair. Todos temos um lado bom e um lado ruim por assim dizer. Esse conceito pode ser aplicado a um símbolo chinês muito conhecido, o yin-yang, que representa a dualidade, duas forças complementares que compõem tudo que existe e que equilibram o mundo. De um modo geral, pode-se dizer que uma pessoa não é má, mas na sua essência existe a maldade (mesmo que de um modo implícito).


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Falsidade


Ele acordou, levantou-se e vestiu sua máscara. Saiu pela rua cabisbaixo, tinha vergonha de quem era realmente, da sua verdadeira essência, da sua personalidade. Conheceu outras pessoas, elas também usavam máscaras. E assim cresceu, conhecendo mais e mais gente falsa e nunca ninguém se preocupava realmente pelo seu estado, pelos seus sentimentos. Até que um dia, já farto de tudo isso, resolveu arrancar sua máscara e percebeu, horrorizado, que em seu rosto não restava mais verdade, não lhe restava opinião própria, era apenas uma marionete, construída por mentiras, que ele mesmo havia criado.


Eu sei que há muito pranto na existência,
Dores que ferem corações de pedra, 
E onde a vida borbulha e o sangue medra,
Aí existe a mágoa em sua essência.
No delírio, porém, da febre ardente
Da ventura fugaz e transitória
O peito rompe a capa tormentória
Para sorrindo palpitar contente.
Assim a turba inconsciente passa,
Muitos que esgotam do prazer a taça
Sentem no peito a dor indefinida.
E entre a mágoa que a máscara eterna apouca
A Humanidade ri-se e ri-se louca
No carnaval intérmino da vida.
(A máscara - Augusto dos Anjos)

terça-feira, 5 de julho de 2011

Morte

Creram que eu estava louco! Loucos eram eles, com suas ideias hipócritas e pensamentos equivocados. Nunca estive tão saudável em toda minha vida. Tinha certeza de que a via. Todas as noites sua sombra me atormentava, tacirturna, silenciosa, um perfeito vulto fantasmagórico. E eu, assustado, incapacitado, estirado em uma cama, ouvia-lhe sussurar baixo, ao meu ouvido:
_Vem comigo...
Até que um dia comecei a acreditar neles, passei a crer que havia perdido mesmo a razão. Mas minha cabeça me dizia que ainda conservava meu juízo. E meu corpo não queria acreditar que aquela terrível sensação de frio que me lacerava quando ela vinha não era real. Passaram-se meses, e me afastei das pessoas. Me tornei um ser tão medroso que me tranquei na minha própria casa, que passou a ser não só meu refúgio, mas também minha prisão. Não saia, não falava com ninguém. Minha mente me prendeu dentro de mim mesmo. Tinha visões. Chorava, estava fraco. Tão fraco que um dia ela chegou, a indesejável, com sua face pálida e mórbida e o seu terrível riso de deboche. Me beijou lentamente nos lábios, sugando minha vida pouco a pouco, e me levou, tão serena e silenciosa como havia vindo.